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segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Crianças francesas não fazem manha?




Confesso que quando vi o "boom" em relação a esse livro e principalmente o nome dele, tive um pouco de preconceito. Mas já que  foi "Best seller" em vários países, resolvi dar uma chance  e ver o que tanto atraia as pessoas e me surpreendi com a leitura e com as colocações da autora.

No livro - Crianças francesas não fazem manhã- Pamela Druckerman (autora) conta a experiência de ser americana  e criar os filhos na França. A autora se prende as diferenças culturais entre a criação dos americanos e dos franceses desde o processo de gestação até o crescimento dos filhos. Através de suas observações diárias, do contato com profissionais especializados na criança e de seu estudo, ela chega a algumas conclusões do porque as crianças francesas são menos agitadas e manhosas em relação as americanas.

Não vou tirar o gostinho de vocês de lerem o livro, mas não poderei deixar de fazer minha análise em relação ao que li. Antes de mais nada, a leitura  desse livro é sim interessante para nós, brasileiros,  já que muito da nossa cultura e forma de educar os filhos está relacionada com a americana. Querendo ou não, nós nos  baseamos no "modo americano de ser" para muitas coisas no nosso dia- a- dia, maneira de se vestir (as marcas), alimentação e também em como educamos e reforçamos os comportamentos de nossas crianças.
O que mais me chamou a atenção no livro foi quando a autora descreve cenas num restaurante francês, no qual crianças sentam-se quietas, comem e esperam os pais comerem. Muito diferente do que ela descreve em relação as americanas e as nossas, não ?!?! Eu costumo fazer essa observação e muitas outras quando estou com crianças e seus familiares.
 Já observei em algumas ocasiões que os pais chegam no restaurante e desesperadamente pedem o prato da criança, pois elas não podem esperar nenhum minuto (até aí tudo bem elas serem prioridade neste momento), mas aí elas acabam de comer e não deixam seus pais comerem, pois não aguentam esperar. Aí ouço, ter filho pequeno é assim mesmo... E eu me pergunto, se alguma vez na vida esses pais ensinaram a criança esperar um pouco? Ou desde que nasceu ela é prioridade em tudo e nunca teve que esperar para nada? E não deixo de pensar também, como serão essas crianças quando adultos?
Certamente  esses futuros adultos sofrerão por esperar pela notícia de um emprego que desejam, se precipitarão para tomar decisões num relacionamento, ficarão angustiados ao ter que esperar por qualquer coisa, ou pior ainda, quando não forem o centro da atenção  na vida, provavelmente, sofrerão de ansiedade, distúrbios alimentares, depressão e tantas outras patologias conhecidas como mal do século.

Entendi que as crianças na educação francesa tem prioridades sim, afinal são crianças que necessitam de cuidados como qualquer outra, mas o pais não levam a maternidade como a principal coisa da vida e nem colocam a criança como centro de tudo.  Afinal, pais são seres humanos e tambem posuem prioridades, portanto a criança tem que esperar no restaurante para comer, tem que esperar o horário de todos, desde pequenos devem acostumar que os outros possuem necessidades como elas e assim, aprendem desde cedo a respeitar e a ceder para o outro. 

Por esse e por outros motivos achei a leitura do livro bem interessante para refletirmos a educação de nossas crianças. Será que realmente elas  devem ser sempre prioridade de tudo na vida dos pais? Será que a maneira com que criamos nossas crianças como centro de tudo não trará influencias negativas para os futuros adultos? Acho que a leitura do livro,  a reflexao sobre a criação e educação de uma criança pode trazer benefícios para pais e educadores.



 A autora também lançou outro livro, ainda não li inteiro, mas vi que segue a mesma linha de pensamento. Para quem gostou, a leitura é interessante também.



É isso aí, pessoal?!? Espero que tenham gostado!

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Quadro de Incentivo: para que serve e como usar. Funciona?


Como algumas pessoas sempre me mandam mensagens sobre como e quando utilizar o famoso "Quadro de Incentivo da Supernanny", aqui vai um post sobre o assunto.

 O que é o Quadro de Incentivo?

É um quadro feito com o envolvimento de toda a família. Com ele é possível mudar determinado comportamento da criança em um curto período de tempo através do reforço positivo. A cada dia e meta cumprida a criança ganha um adesivo que mostra que o comportamento esperado foi alcançado. No final de um período estipulado, um prêmio é dado a criança ( que equivale ao reforço positivo pelo comportamento adquirido).
Preciso deixar bem claro aqui que antes de usar o quadro é necessário ter em mente o que se quer com ele, pois ficar mudando de objetivos toda hora só irá confundir a criança e dificilmente o quadro trará algum beneficio. O Quadro de Incentivo não é uma brincadeira se você não souber usar ou apenas não seguir as regras de forma correta, a criança tende a piorar o comportamento.

  Por que o Quadro de Incentivo pode mudar o comportamento de uma criança?

Behavioristas, ou Analistas do Comportamento, como os teóricos precursores da linha - B. Skinner e J. Watson, afirmam que o comportamento humano pode ser modificado por meio de condicionamento através de reforço (que podem ser positivos ou negativos). O Quadro de Incentivo funciona através do reforço positivo, ou seja,  quando a criança apresenta um comportamento que se julga adequado, ocorre o reforço de tal comportamento com um prêmio (reforço positivo). Com o tempo, e se for aplicado de maneira correta, o comportamento pode se tornar um hábito (explicando de maneira bem simplificada).

O Quadro de Incentivo funciona?

Depende! O quadro pode ser uma ótima ferramenta para promover mudanças em todo o cenário familiar, porém todos devem participar e devem estar dispostos a mudar. Devo enfatizar aqui  que se a criança está com problemas comportamentais, isso pode ser apenas um reflexo de todo o contexto familiar e do ambiente em que a criança vive, então é sempre necessário os pais refletirem sobre suas atitudes perante aos filhos e antes de mais nada, mudar o que for preciso. 
Além disso, para obter êxito com o quadro:  as regras devem ser bem claras e objetivas (para não haver confusão, como já dito anteriormente), é necessário seguir diariamente (ou de acordo com que foi pré estabelecido), as regras aceitas por todos devem ser seguida a risca (pois caso contrário, também irá gerar confusão), é necessário ter diálogo sempre entre os envolvidos.

Do que é composto o Quadro de Incentivo

 O quadro de Incentivo é composto de um quadro no qual são separados por dias da semana, tarefas e prêmio. Além disso vem com as carinhas que indicam que a tarefa foi cumprida ou não e  algumas tarefas que a criança deve cumprir. 
No quadro que eu utilizo há algumas tarefas básicas como: arrumar os brinquedos, obedecer, tomar banho etc. Porém, nada impede de você criar tarefas personalizadas.
                                                              Segue as fotos:




O que usar como reforço positivo (prêmio)? 

Como muitos de vocês já sabem, eu não sou nada a favor do consumismo e principalmente do fato de ter que dar algo em troca para criança a fim de que ela se comporte. Por isso, em primeiro lugar, eu aconselho deixar bem claro para a criança que ela irá ganhar uma recompensa se ela se esforçar e conseguir mudar alguns de seus comportamentos.Não concordo com prêmios que sejam algo que a criança deseja muito, pois pode cair nessa questão da troca. 
O ideal é propor atividades que a criança tenha prazer em fazer e que não, necessariamente, esteja envolvido com gastos, como por exemplo: ir ao parque ou livraria com a família, ir ao cinema ou fazer uma sessão pipoca em casa mesmo, ir a banca e deixar a criança escolher algumas revistinhas etc..
Vale lembrar que a criança terá a recompensa de acordo com que foi estipulado em relação aos dias da semana e a quantidade de vezes que ela se comportou de maneira adequada.

Onde encontrar o Quadro de Incentivo?

Para quem quer adquirir esse mesmo quadro que eu utilizo deixo a sugestão da loja PiliPili Brinquedos Inteligente.




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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Crianças sem limites? O que fazer? Quais as consequências para o desenvolvimento infantil?


Recentemente a lei da palmada foi aprovada no Brasil e se a questão de crianças sem limites já era um tópico em pauta, agora isso se intensificou. Há pais e até mesmo educadores confusos em relação a isso, pois acham que a única maneira de educar é  através da palmada, mas reforço aqui que a violência não é uma forma de colocar limites e sim uma forma de coagir a criança . Então, vamos pensar em como de fato colocar limites?

Sempre digo que amar uma criança implica em propiciar os cuidados básicos que envolvem: 1- a saúde física e a educação-escola, 2- dar carinho e atenção e 3- colocar limites. Esses três "cuidados" permitem que a criança se desenvolva tanto nos aspectos físicos como intelectuais e psicológico. Acredito que o impor limites é algo realmente mais complicado, pois para isso é preciso tomar  algumas medidas, que para muitos pais não é algo tão óbvio.

Sabe quais são essas medidas?
1-) PARAR e FOCAR na criança por alguns momentos do dia-a-dia.
2-) OBSERVAR E PERCEBER a criança
3-) A partir disso, dar o que a criança realmente NECESSITA e não o que ela QUER.

Ou seja, tudo o que você precisa é entender as necessidades da criança, que normalmente são únicas e não comparável com nenhuma outra criança. A partir do reconhecimento das necessidades é possível saber quando é preciso dizer não ou quando é possível ceder as vontades da criança.
O que acontece hoje em dia é que os pais não param para observar o filho e geralmente nunca dizem não, pois não conseguem ver o que a criança precisa naquele momento. Eles geralmente cedem aos desejos da criança, pois é mais fácil dizer "sim" do que o "não" (o "sim" gera sorrisos, já o "não" gera birras e dá muito mais trabalho).
 Ainda em relação ao dizer "não", vejo que a grande dificuldade dos pais é frustrar os filhos,  eles querem de toda maneira proteger o sofrimento dos pequenos. Porém nós só lidaremos bem com a frustração se aprendermos isso desde criança, pois assim vamos criando ferramentas internas que nos farão ser mais fortes para lidar com as perdas e as dores inerentes da vida.
Por isso, dizer "NÃO" e fazer com que os filhos se frustrem (e aprendam a lidar com isso), é o maior ato de amor e de educação que um pai pode dar a um filho.
                                                           
   ....

A criança está aprendendo tudo e inclusive o que é limite, ela não sabe o que pode e o que não pode, por isso, muitas vezes, elas testam a gente o tempo todo. Elas não sabem até onde podem ir , é nós adultos que delimitamos o espaço que existe entre o poder e o não poder e isso se dá através do estabelecimentos de regras e limites na educação.
 A criança que aprende o que é limite tende a crescer mais segura de si (autoestima positiva), tende a se relacionar com mais facilidade e tende a fazer escolhas mais certeiras na vida. Provavelmente será um adulto mais centrado, menos ansioso, medroso e que sabe lidar com as  frustrações inerentes da vida. Crianças que foram educadas sem limites bem estabelecidos terão a chance de viver sérios conflitos durante o resto da vida, pois podem ter dificuldades em adaptar-se e enfrentar o novo, e por isso, são mais vulneráveis a terem relacionamentos "patológicos" e a se envolverem com alcool e drogas.

Mas como colocar os LIMITES na criança? Segue algumas dicas:
1-) Pare para observar a criança. Tenha sempre em mente o que ela realmente precisa, assim você terá facilidade em dar o que ela necessita e não o que ela quer (afinal ela ainda não tem o juízo desenvolvido para saber o que é melhor para ela).
2-) Converse com a criança, desenvolva o diálogo desde sempre. Crie a oportunidade de diálogos não agressivos e fique atento para as atitudes positivas da criança e reforce isso. Enfim, incentive, elogie, e aconselhe.
3-) Sempre que possível faça a criança refletir sobre os comportamentos dela e aponte o que é certo ou errado.
4-) Não dê a criança TUDO o que ela QUER. Dificulte um pouco as coisas e não dê tudo de mão beijada. Estipule datas para dar presentes e brinquedos. FAÇA a criança CONQUISTAR e ter MERECIMENTO para ganhar as coisas. O que dá muito certo são aqueles quadros de reforço, no qual elas ganham algo quando fizeram algo positivo.
5-) Criança com limites é criança com ROTINA estabelecida. A criança consegue identificar o que pode e o que não pode quando segue uma rotina fixa (pelo menos durante a semana). A rotina é uma forma da criança entender que as coisas nem sempre são como a gente quer, e isso por si só já é uma forma de lidar com a frustração.
6-) Não evite todos as frustrações que a criança possa passar. Ao invés disso, converse e encoraje-o a enfrentar e lidar com o problema. Mostre possíveis soluções, mas não resolva por ele.

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terça-feira, 29 de julho de 2014

Ajudando a criança a se desenvolver/aprender (breve documentário sobre Neurociência e Educação)

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Os segredos do Cérebro Humano  é um documentário produzido pela GLOBONEWS, no qual me ajudou a esclarecer vários aspectos relacionados a Educação, a aprendizagem e ao Desenvolvimento Humano. 
....

A Neurociência é a ciência que estuda o cérebro e hoje traz grandes benefícios para as áreas relacionadas a Educação (principalmente relacionado aos problemas de aprendizagem), aos Esportes, as Artes, a Psicologia e enfim, ao Desenvolvimento Humano como um todo.  
Entender um pouco do funcionamento do nosso cérebro pode ser um grande facilitador para pais, professores e todos os profissionais que lidam com o desenvolvimento da criança. Acredito que este documentário pode ajudar pais e profissionais a encontrarem maneiras de estimular crianças com dificuldades de aprendizagem.

Para terem melhor entendimento em relação a aprendizagem, a criança e a educação, vou deixar aqui alguns tópicos para vocês se atentarem ao assistir o vídeo.

1-) Atente-se no trabalho da professora Ana ("tia Ana"). Como a Neurociência a ajudou na solução dos problemas de alfabetização de seus alunos? Perceba que o foco dela é "aprender brincando".
2-) Atente-se para como se dão as SINAPSES (conexão entre neurônios através dos impulsos elétricos). Como é o desenvolvimento da criança e a quantidade de sinapses nos primeiros anos de vida? "Quanto mais a gente usa nosso cérebro, mais ele vai se definindo."
3-) Atente-se na explicação sobre a trilha feita no mato e como se dá nosso aprendizado. "Quanto mais praticamos, mais fortalecemos o caminho que nosso cérebro faz para executar uma determinada tarefa". Então a palavra chave para o aprendizado seria: treino, treino e mais treino!
4-) Atente-se para as fases chamadas: Janelas de Oportunidades
5-) Atente-se para o objetivo da Escola Municipal Guarani, que é criar memória de longa duração nas crianças desde pequenas . Como essa escola preparam seus alunos para alfabetização? 
6-) Qual a importância do elogio para o aprendizado? Atente-se para esse tópico.
7-) Atente-se para a pesquisa de Rui Marra. " A reação de qualquer um diante de um desafio depende do afeto que essa pessoa recebeu na infância". Atente-se para a importância das trocas afetivas no início da vida e como elas são fundamentais para a formação de segurança no indivíduo.
8-) Atente-se para a "Metodologia do Semáforo". Para aprender temos que parar, pensar e agir. Uma coisa de cada vez.
9-) Atente-se para como memorizamos. Como lembramos de detalhes? Como se dá a memória associativa?

Segue o documentário aqui. Não deixe de assistir! (Clique no link se não conseguir ver)
Espero que tenham gostado e que o documentário tenha ajudado, tanto quanto me ajudou no meu dia-a-dia com as crianças.

Post relacionados a dificuldades de aprendizagem e ao desenvolvimento infantil:

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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Minhas contribuições para a reportagem do Delas-IG sobre Autoestima Infantil.

Neste mês fui entrevistada pela jornalista da IG e dei minhas contribuições sobre o assunto autoestima das crianças. Segue a reportagem. 


11 frases dos pais que acabam com a autoestima das crianças.



Ajudar os filhos a amadurecer de forma saudável é uma das tarefas mais importantes dos adultos. Veja o que se deve evitar falar para que as crianças cresçam plenas e felizes


Raquel Paulino - especial para o iG São Paulo

Nos acertos e nos erros, a criança olha ao seu redor e vê as pessoas com quem sempre poderá contar: seus pais. Possibilitar a sensação de amparo e incentivar a seguir em frente é a melhor maneira de os adultos auxiliarem seus filhos a terem uma autoestima sólida e, consequentemente, uma postura confiante ao longo de todas as fases do amadurecimento
.









Os benefícios da boa autoestima infantil são muitos. A psicóloga Katia de Paiva Accurso,especializada em psicoterapia e psicodinâmica infantil pela Universidade Mackenzie, lista alguns: “As crianças desenvolvem-se plenamente, com alegria de viver, explorando o que encontrarem pelo caminho. Lidam melhor com as frustrações, que são inevitáveis em nossas vidas. Aprendem mais na escola, pois não temem demonstrar dificuldades e dúvidas. Se permitem ser criativas, já que não se prendem a modelos. Serão mais independentes, uma vez que sabem que são amadas pelos pais onde quer que estejam”

.








A psicóloga clínica especializada em crianças pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Ana Paula Miessi concorda. “A autoestima consolidada na infância forma adolescentes mais tranquilos, que conseguem enxergar os dilemas típicos da idade com mais clareza e lidar melhor com eles”, diz.


O problema é quando a educação dada pelos pais, por autoritarismo ou por falta de conhecimento sobre o assunto, não ajuda as crianças a construírem uma base de confiança para a vida. Quando a criação é baseada em frases que diminuem os filhos ou os fazem se sentir inseguros na maior parte do tempo (confira na galeria de fotos acima), as chances de a adolescência e a vida adulta serem mais complicadas são bem maiores. 


“Sem uma boa autoestima, podem surgir problemas nos relacionamentos, tanto de amizade quanto amorosos, compulsão por dinheiro, distúrbios alimentaresproblemas com álcool e com drogas”, afirma Ana Paula. Katia complementa que “essa pessoa tende a ser mais introspectiva, insegura ou agir de maneira prepotente e arrogante, justamente para ocultar sua imensa insegurança. Autoestima rebaixada traz consigo angústia, tensão constante e dependência”.

Depois de muito ler em livros e na internet sobre o assunto e de trocar ideias com outras mães em grupos de discussão em redes sociais, a artesã Camilla Werner incorporou ao dia a dia de sua família várias atitudes para promover a autoestima dos filhos Theo, de nove anos, Eloah, de cinco, e Isabella, de três. “Evito adjetivos negativos, porque a criança acaba incorporando aquilo à sua personalidade”, exemplifica.
Ela segue direitinho as orientações psicológicas contemporâneas. “Prefiro focar nas atitudes, conversar. Claro que às vezes, na hora do nervoso, a gente não pensa e corre o risco de falar algo de que se arrependerá. Quando isso acontece, não tenho problema em chamá-los depois e explicar que me expressei mal porque estava nervosa. Que não tinha a intenção de criticá-los pessoalmente. Tento acertar o máximo possível, porque quero que eles sejam adultos completos e felizes.”

Algumas frases que interferem negativamente na autoestima infantil:

1- Por que você não é igual ao seu irmão?
2-Você é terrível mesmo, não tem jeito!
3- Eu vou embora se você não parar com a birra!
4- Que feio você é por ter feito isso.
5- Se você fizer isso errado, vou contar para o seu pai ou sua mãe.
6- Você é muito mentiroso.
7- Você só sabe mentir mesmo.
8- Que notas ruins, como você é burro!
9- Nota baixa de novo, você é burro mesmo!
10- Você será sempre o bebê da mamãe.
11- Deixe que eu faço, você está fazendo tudo errado.


Se quiser, confira a reportagem no portal IG:

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A importância do local de estudos para o aprendizado. Dicas e exemplos de ambientes.

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Você já parou para pensar que o ambiente que seu filho faz as tarefas pode atrapalhar o desenvolvimento escolar dele?Já prestou atenção se o local onde ele faz as lições é propício para o estudo?

Certamente a cozinha com pessoas passando a todo momento, a sala com a televisão ligada, ou o quarto (em cima da cama) não são ambientes ideais para os estudos. Um bom local para se estudar é aquele que permite que a atenção fique focada na atividade. Para isso, é necessário poucos estímulos externos, claridade na medida certa e assento ideal para a coluna.

O local propício para estudar é simples: basta ser silencioso, sem muitos estímulos externos (como brinquedos, computador e televisão), ser claro, limpo, com cadeira confortável, não giratória e que a criança consiga ficar ereta com o pé no chão (pode usar um apoiador de pés se necessário).


Abaixo segue alguns exemplos de ambientes decorados, mas pode ser adaptado na sua casa. 



1-) Quarto no qual a luz natural vai de encontro direto com a escrivaninha, o que é ótimo para a visão e para a concentração. A claridade faz com que nosso cérebro entenda que é dia, portanto hora de trabalhar e não dormir.



2-) Ambiente com poucos estímulos externos. Sem computador e sem brinquedos, possivelmente a criança irá se concentrar nas tarefas com maior facilidade. Além disso, a cadeira não é giratória. Ambientes com poucos estímulos e cadeiras não giratórias são ideias para crianças com problemas de atenção e hiperatividade.



3-) Local de atividades para a criança pré escolar. Mesmo que a criança ainda não tenha a responsabilidade da escola, desde pequena é legal ter um local para ela pintar e criar. Isso de alguma maneira passa a ser um incentivo aos estudos desde cedo.




4-) Este dois quartos deixo aí apenas como exemplo, porém tiraria a cadeira giratória de ambos e o computador só permaneceria no local na hora de fazer alguma pesquisa via internet.


Ana Paula Miessi Sanches - Psicóloga Infantil

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Entrevista dada por mim no Portal IG - Menina Boneca ou Menina Moleca!

Menina moleca ou menina boneca

Por que os pais não precisam se preocupar se as filhas querem brincar de espada, como Shiloh Jolie-Pitt, ou se preferem usar salto alto, como Suri Cruise

Danielle Nordi, iG São Paulo
  • Ninguém precisa checar um exame de ultrassom da grávida para descobrir o sexo da criança: basta entrar no quarto preparado pelos pais para perceber se será menina ou menino. “A educação começa diferente já no útero da mãe”, analisa Ana Paula Miessi Sanches, psicóloga especializada em crianças pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Foto: Grosby Group/Brainpix Ampliar
Suri usa tiara, meia calça e casaco de pele, enquanto Shiloh aparece de camiseta com costura de gravata: estilos opostos delineiam perfis que costumam preocupar os pais

Será que essa divisão é tão importante a ponto de ser motivo de preocupação para os pais? Isso não parece ser o que pensa o casal de astros Angelina Jolie e Brad Pitt. Pais de seis filhos, eles demonstram lidar naturalmente com a preferência da filha Shiloh, 5, por tudo que faça parte do universo masculino. Com características opostas, Suri Cruise, 5, filha dos atores Tom Cruise e Katie Holmes, parece fascinada pelas atividades tipicamente femininas.
“Uma menina feminina é quase uma princesa. Já a menina mais moleca nem sempre é bem vista”, afirma Ana Paula. Mas a menina boneca também pode ser vítima de estereótipos e perder ótimas oportunidades de brincar como criança. Medo de se sujar ou de estragar um sapato novo se tornam impeditivos para vivenciar uma brincadeira com os amigos, por exemplo. “Não consigo ver quem pode sofrer mais ou menos. O importante é conseguir balancear a vida das crianças para que elas possam ter uma infância mais completa e feliz”, diz Yvanna Sarmet, psicóloga infantil.
Veja o que os especialistas consultados pelo Delas dizem sobre a questão da escolha de gênero na infância e se essa opção poderá ser um problema na vida da criança:

Boneca x espada
Motivo de insegurança de muitos pais, os brinquedos dão o que falar quando o assunto é gênero. No caso das meninas, o estranhamento vem quando a preferência é por uma bola ou um carrinho. Enquanto Suri adora levar bonecas a tiracolo e parece cuidar delas como uma mãe, Shiloh é quase sempre vista com brinquedos tipicamente masculinos, como uma espada.

Foto: Grosby Group/Brainpix
Suri dá colo a uma boneca e Shiloh se diverte com uma espada: para as crianças, brinquedos não têm gênero

“A nossa cultura adota padrões de características mais femininas ou masculinas e isso acaba direcionando as escolhas das crianças porque, em algum momento, a menina pegou algo azul e foi alertada que aquilo era de menino. Ela sente o preconceito e vai adequando seu comportamento”, afirma Yvanna.
Mesmo essa adequação de comportamento não vai tirar a curiosidade natural de uma criança por tudo que é novo. Longe de ser motivo de preocupação, os pais precisam entender que a experimentação por brinquedos do sexo oposto faz parte do desenvolvimento da infância. A criança não percebe diferença entre brincar de boneca ou de carrinho. “Não é a escolha de um brinquedo que vai determinar a sexualidade de ninguém. Isso é um mito”, diz Yvanna.

Vestido x gravata
Enquanto Suri desfila vestidos, casacos e sapatos como uma princesa, Shiloh opta por trajes masculinos, como gravatas e sapatos pesados. As escolhas de Suri são mais confortáveis aos olhos da sociedade, mas também podem ser rotuladas. “Shiloh pode enfrentar algum preconceito social porque a maneira que se veste é menos usual, mas Suri também é um extremo. Poderia ser estereotipada como uma ‘patricinha’”, analisa Yvanna Sarmet.

Foto: Grosby Group/Brainpix
Suri de bolsa e sapato alto e Shiloh de colete e gravata: rótulos de "patricinha" ou "moleca"

Assim como a gravata de Shiloh, o excesso de vaidade de Suri salta aos olhos. Batons, esmaltes e sapatos com salto alto são comuns na rotina da menina. Maquiagem e esmaltes podem ser resolvidos com o uso de produtos específicos para crianças, mas o uso do salto costuma deixar muitas mães de cabelo em pé. No entanto, se for ocasional, não há riscos.
“Idealmente uma criança não pode usar salto alto, mas se for apenas durante uma festinha ou em outro momento, esporadicamente, não deve causar nenhum problema. Não há um tamanho correto, mas se os pais percebem que a criança está andando torto ou esquisito significa que tem algo errado”, afirma Luiz Carlos de Andrade Junior, médico especialista em ortopedia pediátrica pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP).
Proteção x liberdade
A filha de Tom Cruise é vista sendo protegida pelos pais em diversas ocasiões, enquanto Angelina Jolie ensina seus filhos a andarem de mãos dadas, já que não tem colo suficiente para todas as crianças – ela tem seis filhos. “Existe diferença entre crianças que são o centro das atenções de uma família e outras que precisam dividir a atenção dos pais com os irmãos”, explica Yvanna.

Foto: Grosby Group/Brainpix
Suri é levada no colo, enquanto Shiloh anda sozinha, carregando os próprios brinquedos: proteção dos pais influencia no comportamento das crianças

Segundo Yvanna, o estilo de parentalidade influencia na maneira como as crianças vão se comportar. Permitir que os filhos tomem algumas decisões sozinhos e caminhem com as próprias pernas pode ajudar na construção de uma personalidade mais independente.