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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Os benefícios dos brinquedos educativos para o desenvolvimento infantil.







Nós psicólogos e educadores adoramos os brinquedos educativos, sabem por que?
Porque normalmente esses brinquedos ajudam a criança de maneira direta no desenvolvimento cognitivo (ou intelectual), motor, psicológico e de linguagem.

Segue abaixo alguns brinquedos e o seus benefícios.



Blocos de montar : os blocos normalmente são coloridos e  com formas variadas. Ao brincar com esses blocos a criança usa a criatividade e ao encaixar as peças ela desenvolve o raciocínio lógico, as habilidades psicomotoras e a atenção focada. Esse tipo de brinquedo pode ser interessante se você desafiar a criança a montar alguma coisa (uma casinha para as menores e uma cidade para os maiores). Ideal para crianças com alguma dificuldade de atenção e/ou motora.

Fantoches, Dedoches e Contação Histórias: não importa o personagem e nem o tema, o que importa é a imaginação ao contar histórias. Esse tipo de brinquedo desenvolve a criatividade e aspectos psicológicos, já que ao relatar a história a criança expõe conteúdos de sua vida e assim, possivelmente, elabora seus medos, ansiedade e sentimentos em geral. Também trabalha as habilidades de concentração, atenção e sequenciamento lógico (já que as histórias possuem começo, meio e fim). É ideal para crianças de todas as idades.


Caixa de formas: são normalmente coloridas e as  partes de encaixe são as formas geométricas (círculo, triangulo, quadrado etc). Ao encaixar as formas na caixa a criança desenvolve o raciocínio lógico (já que precisa diferenciar uma forma de outra), as habilidades psicomotoras, a concentração e a atenção focada. Este, normalmente, é o primeiro brinquedo do bebê, pois aproximadamente a partir dos seis meses as peças começam a fazer sentido para eles e com o tempo, eles começam a encaixar as formas. É ideal também para crianças maiores com dificuldades motoras. 


Brinquedos que produzem sons: ao produzir e ouvir sons, a criança desenvolve a memória auditiva e o processamento auditivo, ambas são habilidades importantes para a aquisição da fala e para o processo de alfabetização. Costumo utilizar com crianças em fase de alfabetização e/ou com problemas de leitura. Para fazer um bom uso do brinquedo, peça para a criança ouvir e pontuar as diferenças entre os sons.


Bom, acredito que depois de ler isso, você olhará para os brinquedos educativos de forma diferente e além disso, irá incentivá-los.


Ana Paula Miessi Sanches - Psicóloga 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Problemas de Aprendizagem - Documentário da HBO (Não sei fazer isso, mas sei fazer aquilo) - Parte I




 "Não pode haver compreensão entre a mão e o cérebro, a não ser que o coração seja mediador." (Relvas).

Neste e nos próximos dois posts serão abordado o tema " Problemas de Aprendizagem". Em cada uma das postagens será mostrado um documentário produzido pela HBO chamado "Não sei fazer isso, mas sei fazer aquilo" (I can´t do this, but I can do that) que mostra depoimentos de crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem.


Antes de apertar o play para assistir os vídeos, leve em consideração o sentimento de cada criança e como elas superam a dificuldade dia-a-dia.



Documentário: Não sei fazer isso, mas sei fazer aquilo.Clique aqui para assistir - Parte 1




Nesse primeiro vídeo é abordado especialmente a Dislexia através dos relatos de uma menina de 9 anos (chamada Abbey) que convive com o problema.

Abbey descreve muito bem sua dificuldade:
" Ler e escrever são coisas que eu não sou muito boa. (...) Eu via as outras crianças explicando rápido, resolvendo problemas e eu ainda estava no primeiro. (...) Tudo era do jeito que eles aprendem e não do jeito que eu aprendo."

A palavra dislexia vem do grego. Dis- dificuldade e Lexia - linguagem. Portanto, entende-se que Dislexia seja uma dificuldade na aquisição da linguagem.

A Dislexia é a dificuldade de aprendizagem mais citada e divulgada. Por isso, deve-se tomar muito cuidado com as definições, pois muitas acabam sendo simplistas e tachativas.
É muito comum falarem que o disléxico troca as letras, o que é uma afirmação parcialmente errônea. O que acontece é a dificuldade em decifrar códigos, sendo as letras um deles. Portanto, se eles invertem as letras, é por que não conseguem diferenciar uma letra da outra ou as sílabas. Em linhas gerais, a criança tem dificuldade em decodificar os sons linguísticos, assim, ela lê uma informação, mas  não armazena e nem decodifica o sentido. Na escrita faz apenas aproximações semânticas. 
Vale a pena ressaltar que o problema não tem haver com má alfabetização, questões sócioeconômicas ou fatores psicológicos. Na realidade a dislexia tem base neurológica e carácter genético significativo.

Quanto ao tratamento, é importante salientar que  o problema deve ser tratado o quanto antes, pois através de métodos desenvolvidos por equipe multidisciplinar (que envolvem a escola, a psicologia, neuropsicologia e fonoaudiologia) a criança desenvolverá
 métodos próprios de aprendizagem. Com o tempo o cérebro tende a se adaptar àquela nova maneira de aprender e o aluno passa seguir o curso normal de aprendizagem.

O documentário mostra a diferença de discurso de Abbey antes e depois do tratamento.
"Eu odiava ler, porque não sabia e isso se tornou uma chatice. Agora adoro livros e a cada dia tenho confiança em mim mesmo..."

Assim notamos que o  tratamento certo faz com que a criança aprenda e se desenvolva intelectualmente. O ponto de partida é a aceitação do problema e o acompanhamento educacional adequado.



Deixo aqui o vídeo na íntegra para quem quiser assistir inteiro:


Ana Paula Miessi Sanches (Psicóloga)





quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Repetência escolar: quais mudanças necessárias para o próximo ano? Como evitar o fracasso escolar! PARTE II




A repetência escolar é fato???Por algum motivo o aluno não conseguiu alcançar as médias escolares e agora irá refazer a mesma série. Ou então, o ano letivo passado houve grandes dificuldades e apesar da aprovação escolar, esse ano as coisas devem mudar. Neste momento é preciso lidar de frente com essas questões e se abrir para promover mudanças efetivas juntamente com a criança.

Como disse no artigo anterior (também sobre fracasso escolar), agora não é hora de culpar a criança e deixar o nervosismo tomar conta da situação. Por mais difícil que seja, o melhor a fazer é acolher o aluno e se manter a disposição para ajudá-lo.

 Para que realmente as mudanças sejam efetivas, vamos pensar num "plano de ação" que deverá estar agindo durante todo o ano letivo:

1- Primeiramente, será preciso saber o real motivo da repetência escolar. Se há dúvidas, procure ajuda de um profissional que pode ser um psicólogo ou um psicopedagogo. A partir do momento que o motivo for encontrado, você deverá ficar atenta na questão para os mesmos erros não se repetirem neste ano.

2- Você notou que o problema está nos estudos e na disciplina? Então, monte um plano de estudo, no qual você (diariamente ou de 3 a 2 vezes por semana) deverá tirar uma hora do dia para acompanhar os estudos e as lições (bem como a agenda diária e o planejamento escolar) da criança. Você deve agir preventivamente durante o ano, se possível deverá ficar mais atenta no primeiro semestre e do segundo em diante ir deixando aos poucos o aluno mais "solto" para ele ir conquistando autonomia e disciplina. Porém, não esqueça que no começo do ano, deverá estar 100% com foco nele e na escola.

3- Esteja próximo a escola. Converse com os professores,com a direção e coordenação. Conheça bem o método escolar e ao ajudar a criança tente usar as mesmas ferramentas para não confundí-la.

4- Analise se a escola também está aberta, fazendo mudanças necessárias para acolher o aluno e promovendo um desenvolvimento mais efetivo do que no ano anterior. Se perceber que isso não acontece, converse com os responsáveis pelo assunto na instituição.

5- Estimule a criança a procurar o professor para tirar dúvidas e expor suas questões. Pode ser que isso seja difícil para ela, o que mostra traços de introversão e timidez. Se você notar que esse traço está trazendo sofrimento, procure ajuda de um psicólogo. Incentive também ela a falar de suas dificuldades para você e para quem a acompanha na escola. 

6- Se notar que as dificuldades continuam, procure ajuda! Pode ser que o reforço escolar dê conta do problema, mas se mesmo assim isso não estiver trazendo  resultados positivos, procure ajuda de um profissional o quanto antes. Pois o problema pode ser de ordem cognitiva ou psicológica e quanto mais rápido a ajuda vier, mais fácil será a solução.

7- Seja otimista e trabalhe com a auto-estima da criança. Lembre-se que nesse momento as cobranças excessivas e julgamentos poderão desestimular e piorar a situação. O melhor a fazer é sentar com a criança. Se mostre aberta para ajudá-la e monte (juntamente com ela) o plano de estudos. Faça um plano que seja bom para vocês e que os horários sejam compatíveis com ambos. Para facilitar compre um caderninho (ou uma lousinha) para anotar os horários, o que está pendente, o que deve melhorar etc... Lembre-se que terá que haver esforço e vontade de ambas as partes.

Creio que se conseguirem seguir o "plano de estudo" montado, no fim do ano tudo será mais calmo e certamente, haverá vitória ao invés do fracasso. Boa sorte e bom início das aulas!


FICA A DICA:  vale enfatizar que agora é hora de estar aberto a mudanças. Por isso, monte o "plano de estudos" e siga-o disciplinadamente durante todo o ano. Se tiver dúvidas procure ajuda! E nunca esqueça de ficar atento a tudo que ocorre durante o ano. Se atente as atitudes da escola, ao comportamento do seu filho, a auto-estima, a disciplina e as dificuldades. Se você estiver realmente atenta a tudo, conseguirá encontrar soluções para os problemas.

Ana Paula Miessi Sanches - Psicóloga Infantil